Derrota no TRF-4 expõe insatisfação com defesa de Lula

A condenação, por unanimidade, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) na semana passada fez aumentar a pressão de aliados e advogados próximos do petista por um reforço na equipe de defesa, hoje comandada por Cristiano Zanin Martins. O nome mais citado entre os petistas é o do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence.

Na cúpula petista e nos grupos de discussão de advogados em redes sociais, um dos principais temas dos comentários é a necessidade de acrescentar à defesa de Lula um nome que tenha livre trânsito nos tribunais superiores. Petistas falam em um nome com mais “senioridade” do que Zanin, que tem 41 anos. “Que me perdoem Cristiano e Valeska (mulher e sócia de Zanin), mas precisamos de um medalhão”, disse um integrante.

Amigo de Lula, cotado para ser candidato a vice do petista na eleição presidencial de 1998, Pertence é próximo da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Ele teria sido a primeira pessoa a sugerir o nome de Cármen para Lula, em 2006.

Procurado pelo Estado, Pertence não atendeu às ligações. Pessoas próximas a ele disseram que o ex-ministro já foi consultado pela defesa de Lula antes do julgamento no TRF-4, mas não chegou a um acordo porque existiria um conflito de interesses pelo fato de já defender o banqueiro André Esteves. Petistas com trânsito na área jurídica, no entanto, dizem que o motivo foi outro. Zanin não teria aberto mão de fazer a sustentação oral no TRF-4, o que teria feito Pertence desistir da causa.

Conflito Outro nome citado é o do criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Ele é o preferido entre os aliados de Lula que defendem a manutenção da linha de enfrentamento ao Judiciário, adotada por Zanin. Kakay, porém, defende 18 envolvidos na Lava Jato, o que também pode gerar conflito de interesses. Outra saída comentada seria aumentar o protagonismo do experiente advogado José Roberto Batochio, que já trabalha na equipe de defesa do ex-presidente. Integrantes da cúpula petista avaliam que foi ineficaz a estratégia “palanqueira” de Zanin de partir para o enfrentamento contra a Lava Jato e pedem uma linha de defesa mais técnica nos tribunais superiores. Alguns lembram que um dos argumentos da defesa foi usado pelos desembargadores para aumentar a pena imposta a Lula. De acordo com um influente criminalista que orbita no campo petista, em Cortes como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo, a contundência da argumentação geralmente é menos importante do que a capacidade do advogado de defesa de “ser ouvido” pelos ministros. Daí a importância de um defensor com um bom trânsito nos tribunais superiores.

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