CRDT registra 28 casos de tuberculose nos três primeiros meses de 2018

O Centro de Referência de Doenças Tropicais (CRDT) está ampliando o diagnóstico da tuberculose nos dias que antecedem o dia mundial de combate à doença, comemorado em 24 de março. Especialista do CRDT, a enfermeira Elenilze Lucimara Cardoso Galan alertou na manhã desta terça-feira (20) no programa LuizMeloEntrevista (DiárioFM 90,9) sobre a necessidade do diagnóstico precoce e revelou que no Amapá já foram registrados 28 casos nos três primeiros meses de 2018. “Estamos fazendo uma campanha de mobilização com o objetivo de sensibilizar população pra identificar os sintomas da tuberculose, o diagnostico precoce e o tratamento. É preciso se conscientizar que a incidência da doença é preocupante, porque em 2017 o CRDT registrou 196 casos novos e nos três primeiros meses deste ano já são 28 casos. Quem teve ou tem contato prolongado com alguém tem que fazer o diagnóstico, porque a tuberculose é uma doença infectocontagiosa”, alertou. A enfermeira explicou que o diagnóstico é simples e rápido: Ao contrário de antigamente, quando se usava apenas a baciloscopia (de escarro) e o paciente tinha que fazer pelo menos duas amostras, hoje o diagnóstico é simples e rápido, porque é feito através do teste rápido molecular e o resultado sai em duas horas. É importante lembrar a população que o sintoma principal é a tosse prolongada com por mais de três. Quem conhece alguém que tenha esse sintoma, é só encaminhar para o CRDT, que fica na Rua Prof Tostes, no bairro Santa Rita (Centro de Macapá), bem ao lado do Senac).

Teste rápido molecular O ministério da Saúde disponibilizou a partir do final de 2013, gratuitamente, na rede pública, o teste rápido para diagnóstico de tuberculose com capacidade de detectar a presença do bacilo causador da doença em apenas duas horas. O Gene Xpert, como é denominado, também identifica se a pessoa tem resistência ao antibiótico rifampicina, usado no tratamento da doença. Para a implementação da nova tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS), o ministério da Saúde investiu R$ 12,6 milhões na aquisição de testes, computadores de última geração, com leitor de código de barras e impressora e para o treinamento dos profissionais de saúde.

Diagnóstico e tratamento A Tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de Koch (BK), que afeta principalmente os pulmões, mas, também podem ocorrer em outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro). A doença é transmitida por via aérea em praticamente a totalidade dos casos. A infecção ocorre a partir da inalação de gotículas contendo bacilos expelidos pela tosse, fala ou espirro do doente com tuberculose ativa de vias respiratórias. Quando uma pessoa inala as gotículas contendo os bacilos de Koch, muitas delas ficam no trato respiratório superior (garganta e nariz), onde a infecção é improvável de acontecer. Contudo, quando os bacilos atingem os alvéolos, eles ocasionam uma rápida resposta inflamatória, envolvendo células de defesa. Caso ocorra falha neste mecanismo, os bacilos começam a se multiplicar. A primoinfecção tuberculosa, sem doença, significa que os bacilos estão no corpo da pessoa, mas o sistema imunológico os está mantendo sob controle.

Tuberculose primária Em 5 % dos casos, entretanto a primoinfecção não é contida, seja pela deficiência no desenvolvimento da imunidade celular, seja pela carga infectante ou pela virulência do bacilo. A tuberculose resultante da progressão do complexo primário e que se desenvolve nos primeiros cinco anos após a primoinfecção denomina-se Tuberculose primária. As formas de tuberculose primária podem ser: ganglionares, pulmonares e miliar que comprometem não apenas os pulmões, mas muitos órgãos como rins, cérebro, meninges, glândula supra-renal e ossos, resultantes da disseminação linfohematogênica do bacilo. Por contigüidade, ocorrem as formas pleural (pulmão), pericárdica (gânglios mediastinais) e peritonial (gânglios mesentéricos).

Tuberculose pós-primária Uma vez infectada, a pessoa pode desenvolver tuberculose doença em qualquer fase da vida. Isto acontece quando o sistema imunológico não pode mais manter os bacilos “sob controle” e eles se multiplicam rapidamente (reativação endógena). Pode acontecer também, reativação exógena, na qual ocorre uma nova exposição a bacilos mais virulentos e que resistem à forte resposta imunológica desencadeada pelo hospedeiro (reativação exógena). Os doentes bacilíferos, isto é, aqueles cuja baciloscopia de escarro é positiva são a principal fonte de infecção. Portanto, todas as medidas devem ser realizadas no sentido de encontrar precocemente o paciente e oferecer o tratamento adequado, interrompendo assim, a cadeia de transmissão da doença. A má alimentação, a falta de higiene, o tabagismo, o alcoolismo ou qualquer outro fator que gere baixa resistência orgânica, também favorece o estabelecimento da doença.

Formas da doença A apresentação da tuberculose na forma pulmonar, além de ser mais frequente, é também a mais relevante para a saúde pública, pois é a forma pulmonar bacilífera, a responsável pela manutenção da cadeia de transmissão da doença. A busca ativa dos sintomáticos respiratórios é a principal estratégia para o controle da TB, uma vez que permite a detecção precoce das formas pulmonares. Os sintomas clássicos da TB pulmonar são: tosse persistente por 3 semanas ou mais, produtiva ou não (com muco e eventualmente sangue), febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento. Em populações especiais, tais como presidiários, moradores de rua, pacientes HIV positivos, crianças, tosse com 2 semanas ou mais, pode ser sugestivo de tuberculose pulmonar e deve ser investigado. A doença pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum na criança maior, adolescente e adulto jovem. Tem como característica principal a tosse seca ou produtiva (com catarro). A febre vespertina, sem calafrios, não costuma ultrapassar os 38,5º C. A sudorese noturna e a anorexia são comuns. O exame físico geralmente mostra “fácies” de doença crônica e emagrecimento, embora indivíduos com bom estado geral e sem perda do apetite também possam ter TB pulmonar. As formas extrapulmonares da tuberculose têm seus sinais e sintomas dependentes dos órgãos e/ou sistemas acometidos. Sua ocorrência aumenta entre pacientes com imunocomprometimento grave, principalmente naqueles com Aids.

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