Cooperativa é notificada a fazer serviços emergenciais em barragem no Lourenço

Na quarta-feira, 17, a força-tarefa composta por órgãos estaduais e federais e instituições militares encerrou as inspeções técnicas para fazer um diagnóstico sobre a barragem Labourier de rejeito de mineração no garimpo do Lourenço, no município de Calçoene. A decisão de fazer um desvio através de um canal na região foi mantida.

Diante de tudo o que foi observado e analisado durante dois dias na região, a Agência Nacional de Mineração (ANM), ligada ao Ministério de Minas e Energia, notificou de maneira oficial a Cooperativa dos Garimpeiros do Lourenço (Coogal) para fazer correções emergenciais no maciço da barragem e apresentar o projeto definitivo para contenção dos rejeitos. A partir dessa comunicação formal, a Coogal poderá dar início aos trabalhos de emergência, que serão inspecionados e auxiliados, in loco, pela Defesa Civil Estadual e ANM.

De acordo com o tenente-coronel bombeiro militar Frederick Medeiros, que coordenou a comitiva, os órgãos estão trabalhando de maneira conjunta para evitar o rompimento da barragem. “Conseguimos ter um resultado positivo e elaboramos os serviços emergenciais. Agora vamos acompanhar de perto os serviços que serão realizados pela Coogal, mas com supervisionamento e técnica da Defesa Civil e ANM”, explicou.

O diretor de fiscalização da Agência Nacional de Mineração, Walter Arcoverde, destacou que é necessário agir rápido para que não aconteça nenhum dano ambiental grave. “Como já apontado em laudos técnicos, a situação preocupa, mas tivemos o cuidado de irmos até o local e definir o que podemos fazer para evitar um desastre ambiental”.

Os serviços feitos na barragem de Labourier são para suprir as necessidades circunstanciais, mas no período de verão existe o compromisso de refazer a barragem. “É mais do que necessário o reforço de imediato, mas temos que reconstruir essa barragem que existe desde a época da empresa Novo Astro, e assim faremos, mas somente no período de estiagem, pois teremos uma matéria-prima melhor e seca”, completou o tenente-coronel BM Medeiros.

A força-tarefa é formada pela Defesa Civil, Agência Nacional de Mineração, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá (Imap), Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), Polícia Federal (PF) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A inspeção na barragem contou com o auxílio de duas aeronaves, uma do Grupo Tático Aéreo (GTA) da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e outra do Ibama, para sobrevoar as regiões próximas ao local e elaborar um plano de contenção em caso de desastre. A situação da barragem causa preocupação em função da sua localização ser próxima a afluentes de rios como o Araguari.


Os trabalhos na localidade também recebem o apoio direto da Prefeitura de Calçoene, que garantiu toda a logística para aproximadamente 50 pessoas. “Queremos logo o retorno das atividades da Coogal, em função da economia local. Mas é claro, precisamos estar com a empresa toda organizada e dentro das normas ambientais e de segurança”, disse o prefeito da cidade, Jones Cavalcante.

A Cooperativa dos Garimpeiros do Lourenço (Coogal) tem atualmente cerca 800 cooperados e, segundo dados da diretoria em exercício, somente no distrito de Lourenço mais de 5 mil pessoas têm renda ligada direta ou indiretamente aos serviços de mineração.

Os técnicos dos órgãos apresentarão o relatório final nos próximos dias ao governador Waldez Góes, que esteve em Brasília (DF) e pediu auxílio do governo federal para eliminar o iminente risco de rompimento da barragem na região de garimpagem da Coogal.

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