Cármen Lúcia afirma que ‘limite físico’ dos ministros exigiu suspender julgamento

A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan, levada ao ar na manhã desta sexta-feira (23), que o julgamento desta quinta-feira do pedido de habeas corpus preventivo de Luiz Inácio Lula da Silva foi suspenso devido à “capacidade física” dos ministros e disse não considerar que o ex-presidente tenha recebido tratamento diferenciado do STF.

Nesta quinta, o Supremo começou a julgar o pedido de um habeas corpus preventivo feito pela defesa a fim de evitar a prisão de Lula. Depois de mais de quatro horas, os ministros decidiram suspender a sessão e determinaram que o ex-presidente não poderá ser preso antes do dia 4, quando o julgamento será retomado. Na segunda-feira (26), o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que condenou Lula a 12 anos e 1 mês de prisão, julgará o único recurso que questiona a condenação.

Na entrevista à rádio, gravada após a sessão, a ministra afirmou que a sessão não teve continuidade devido à “capacidade física” dos ministros “para que o julgamento seja justo, sereno, tranquilo”. “Era uma circunstância que se impôs diante de um horário e das condições dos juízes para que, se houvesse uma continuidade e se alongassem demasiadamente, isso sobrecarregaria provavelmente com consequências até pela capacidade física, e teria que ter continuidade na próxima sessão para que o julgamento seja justo, sereno, tranquilo, como tem de ser”, falou.

Para a ministra, “é preciso que se respeite o limite, até físico, das pessoas. Neste caso, [o julgamento] foi suspenso exatamente porque as discussões são muito importantes, foram longas no dia de hoje [quinta] e daremos continuidade na primeira sessão subsequente”

Segundo ela, Lula não pode ser destratado nem ter privilégios, mas merece o tratamento “digno e respeitoso” devido a qualquer cidadão.

“Acho que o ex-presidente Lula tem que ter o mesmo tratamento digno e respeitoso pela Justiça brasileira que deve ser dado a todo e qualquer cidadão. Nem alguém pode ser considerado diferente por ser mais rico ou mais pobre, mais importante ou menos importante, ser líder ou ser um trabalhador. Isso não tem e não pode ter importância”, disse Cármen Lúcia.

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