Anistia pede respostas para evitar impunidade no caso de Marielle

Depois de mais de 30 dias da morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o crime segue sem respostas. A Anistia Internacional fez um apelo para que os assassinatos sejam esclarecidos. De acordo com a coordenadora de pesquisa da entidade, Renata Neder, a visibilidade que as mobilizações tomaram são importantes para pressionar o Estado a dar uma posição à população, tanto para que a justiça seja feita, quanto para fazer com que este tipo de crime deixe de ocorrer.

“Sabemos que a investigação tem o seu tempo para ser bem feita, mas as autoridades devem reiterar publicamente o compromisso de que a investigação é prioridade e não vai ficar sem resposta. Esse caso é tão importante, porque ela era uma defensora de direitos humanos e a quinta vereadora mais votada na segunda maior cidade do país. Um assassinato que tem características de execução, pela forma como aconteceu, com indícios de premedição. É muito grave que isso aconteça com uma pessoa em um cargo institucional, com essa visibilidade e ainda defensora dos direitos humanos. Se um homicídio desse tipo não tem resposta, imagina o que acontece com todos os outros homicídios. Esse é um caso simbólico”, disse.

Renata afirma que o Brasil, já há alguns anos, é um dos países com maior número de defensores de direitos humanos assassinados, havendo um certo padrão nesses homicídios. Para a coordenadora, a demora nas investigações pode gerar uma sensação de impunidade e incentivar a continuidade desses crimes para quem os comete.

“Os homicídios de defensores dos direitos humanos, no geral, não são investigados e quando são, demoram muito tempo na justiça. Isso gera um quadro de impunidade. E essa impunidade gera um ciclo de violência contra os defensores dos direitos humanos, porque os grupos que querem atingi-los se sentem autorizados a fazer isso, já que nada provavelmente vai acontecer com eles”.

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