Amapaense Patric segue brilhando no Japão e tem início de temporada melhor que artilheiro do Brasile

Na lista de artilheiros do Campeonato Japonês, o nome que aparece no topo é de um brasileiro, mas engana-se quem logo pensa em Jô. O goleador é justamente Patric, do Sanfrecce, líder do campeonato. Com dez gols, ele é o principal nome do torneio nesta temporada. O ex-atacante do Corinthians e da Seleção Brasileira aparece na sétima colocação, com seis gols.

Anderson Patric, campeão do Japonês em 2014, quando foi eleito o MVP (melhor jogador) da competição, conta que a adaptação ao futebol praticado no país é complicada e imagina que Jô esteja passando por um momento de aprendizado. São apenas poucos meses do ex-corintiano no país onde Patric, aos 30 anos, reside há seis temporadas.

“A mídia local comenta que é uma situação complicada, como comentam no Brasil. “Pagam um absurdo de dinheiro no jogador, o jogador não rende o esperado”. Os jogadores japoneses do meu time também comentam que é muito dinheiro. Os japoneses comentam. O cara (Jô) jogou uma Copa do Mundo, foi o melhor do Brasileirão, artilheiro, campeão, mas eles não enxergam dessa maneira. Para eles, tem que correr para pegar zagueiro, não apenas fazer gol. Não se preocupam com isso. Se você corre, ficam satisfeitos. A mídia geralmente fala que o Nagoya está mal, que contrataram um atacante caro e que não vem correspondendo, mas é a cultura deles. Esse treinador do Jô gosta de jogar com muito toque de bola. O Jô é alto, sabe jogar no alto, se cruzarem para ele, vai fazer gol. Isso te deixa chateado” comentou o atacante.

Além de lutar contra o rebaixamento e de contar com um técnico japonês na beira do gramado, Jô chegou a ser substituído durante alguns jogos e precisou compartilhar o banco de reservas com outros companheiros. Situação bem diferente da vivida nos tempos de Corinthians. O “casamento” entre jogador e equipe deu tão certo que o clube ainda não achou um substituto definitivo para Jô, tendo contratado Roger, ex-Botafogo e Internacional, no último mês.

O time de Patric vive situação semelhante à que o Corinthians de 2017 viveu. Ao final da 15ª rodada, o Sanfrecce Hiroshima tem 37 pontos, nove a mais que o vice-líder Tokyo. O Timão, na mesma rodada, tinha 37 pontos e via o Grêmio aparecer na segunda colocação, com 31. O sucesso no Japão é tão grande que até naturalização japonesa já virou um sonho próximo de Patric, que comenta que os torcedores pedem sua presença na seleção nacional.

“Os torcedores fizeram camisa da seleção com o meu nome. (Para tornar-se cidadão japonês) Tem que ficar cinco anos direto sem sair do Japão, tem que poder falar um pouco de japonês e fazer uma prova. Eu completaria cinco anos em 2017, mas como me machuquei, voltei para fazer tratamento no Brasil. Agora, tem que reiniciar tudo. A torcida me pergunta, sempre falo que não vou desistir desse sonho. A seleção tem muito jogador bom, mas lá no ataque não tem jogador alto, forte. Todos me pedem na seleção. Vamos ver o que vai acontecer. Acho difícil, mas vou continuar tentando” disse Patric, com esperanças de vestir a tradicional camisa japonesa.

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